LANCEIROS NEGROS - A HISTÓRIA QUE NÃO TE CONTARAM!

Hoje, dia 20 de setembro, foi o dia dos lanceiros negros. Você sabe quem foram eles?

Quem são nossos verdadeiros heróis? Os que propagam massacres, mortes e traição?

  

Para conhecermos os lanceiros, vamos voltar na Revolução Farroupilha que aconteceu no Rio Grande do Sul. É.. Lembra daquelas aulas de história no ensino médio? Pois bem! Sabemos que não está nos planos de ensino nos contar a história verdadeira, portanto, sabemos também que os brancos saíram como heróis revolucionários, mas estamos falando de um episódio da nossa história, onde (como sempre) os negros estavam sendo usados para proteger os interesses e as vidas brankkkas. Nada novo sob o sol, não é mesmo? 

Vamos aos fatos! Do dia 20 - 09 - 1835 ao dia 01- 03 - 1845 aconteceu um dos maiores conflitos regionais, que ficou conhecido como a guerra dos Farrapos ou revolução farroupilha no Rio Grande do Sul. Esse conflito, era de cunho republicano, por divergências em questões politicas e ideológicas, iniciou-se essa guerra contra o governo imperial que durou 10 anos. 

 As tropas que proclamaram a independência da republica Rio Grandense, eram comandadas por Bento Gonçalves. Engana-se quem pensa que essa guerra foi do povo gaúcho, na verdade a guerra girava em torno dos fazendeiros e seus interesses econômicos. Além do descontentamento com o regime imperial, eles lutavam também por mais autonomia em suas províncias, pelo fim da entrada da concorrência vinda de outros países através da venda de charques e couros, e também pediam a baixa nos impostos comerciais, que consideravam muito alto. 

E onde entram os lanceiros negros nessa história toda? 

Nessa época a população negra vivia escravizada por esses senhores de engenho. Esses mesmos, autores da revolta! Durante o primeiro ano da guerra, eles não participaram da luta, pois seus senhores precisavam de suas mãos de obra nas fazendas. Quando os Farrapos sofrem uma enorme baixa em suas tropas, eles começam a ver a necessidade de um reforço. Através de um pedido do abolicionista Antonio de Souza, em 1836 é formado o 1º corpo de lanceiros negros, que viam ali uma possível liberdade pós guerra. 

Os lanceiros negros ficaram conhecidos como os melhores combatentes de cavalaria. Eles não usavam escudos, se protegiam usando Ponchos de lã em seus braços livres, que ao mesmo tempo os serviam como cama, cobertor e agasalho. Relatos históricos mencionam o quanto eram disciplinados. Eles eram usados nas missões mais arriscadas, intimidavam seus inimigos com gritos e iam ficando mais numerosos a medida que a guerra chegava ao fim (No final existiam dois corpos de lanceiros, contando com mais de mil homens). Eles lutavam com sede de ganhar, pois queriam sair vivos dali para então, se verem livres da escravidão. Essa era a condição. 

 "[São] soldados de uma disciplina espartana, que com seus rostos de azeviche e coragem inquebrantável, punham verdadeiro terror ao inimigo. (…) Nunca vi, em nenhuma parte, homens mais valentes, em cujas fileiras aprendi a desprezar o perigo e combater dignamente pela causa sagrada das nações." Giusebbe Garibaldi em biografia escrita por Alexandre Dumas. 


Por 10 anos os lanceiros protagonizaram as batalhas ao lado dos Farrapos. No final da guerra, o tratado de paz estava cada vez mais iminente. Haviam poucos detalhes a serem resolvidos para que a guerra tivesse seu fim. Porém um dos principais detalhes era a situação dos lanceiros negros. 

Será mesmo que o império deixaria facilmente que homens negros, combatentes e armados circulassem livres após a guerra? Será também que os donos de terras eram tão adeptos assim ao abolicionismo que prefeririam continuar a guerra até que o império aceitasse a liberdade dos lanceiros negros? Se a principal mão de obra nas fazendas vinham dos negros escravizados, será que diferente do império, os fazendeiros estariam mesmo afim de liberta-los? 

Em 1842, Luiz Alves de Lima e Silva, ou como é mais conhecido Duque de Caxias, é nomeado pelo governo português para comandar uma ação que colocasse um fim no conflito separatista que pairava pelo sul. Em novembro de 1844, Duque de Caxias junto ao general farroupilha David Canabarro, armam um golpe para acabar de vez com os empasses que ainda restavam para que a paz fosse reinstalada. 

Sendo assim, Canabarro ordena ao corpo de Lanceiros negros que vá desarmado até o local conhecido como Arroio Porongos, atualmente chamado de Pinheiro Machado, e que lá montem seus acampamentos. Repito, desarmados. Enquanto isso, Duque de Caxias ordena as tropas imperiais para que combatesse as tropas farroupilhas que nesse mesmo local estivessem. Na madrugada desse dia 14 de novembro, os lanceiros negros foram atacados covardemente pelo exército federal. 


Thiago Krenig

"Poupe o sangue brasileiro o quanto puder, particularmente da gente branca da Província ou dos índios, pois bem se sabe que essa pobre gente ainda pode ser útil no futuro" Carta enviada por Duque de Caxias ao comandante Francisco Pedro de Abreu, que comandava o ataque dessa traição covarde.

Como vocês devem estar imaginando agora, os lanceiros negros foram dizimados e mortos brutalmente e os que restaram vivos foram enviados ao Rio de Janeiro e voltaram a condição de escravos. A traição resultou na morte que varia entre 100 a 800 lanceiros negros. Não se sabe ao certo, ou mais provável, não nos deixam saber. 

 Como o destino dos lanceiros negros era o maior impasse para que o tratado de paz fosse selado, após esse extermínio tramado, a paz volta a reinar a preço de sangue inocente. Vale ressaltar que Caxias era barão e recebeu o honorável título de Duque um tempo depois do massacre. E claro, hoje ele é o patrono do exército brasileiro. 

Durante anos vem sendo ensinado nas escolas a história que mostra o heroísmo dos comandantes brankkkos e escondido o fato de centenas de negros e negras terem participado efetivamente de inúmeras revoluções, como a  farroupilha e terem sido  friamente exterminados em busca da liberdade.  

Que não nos esqueçamos quem são os verdadeiros heróis irmãos!

Que tenhamos aprendido com o exemplo de nossos ancestrais que não devemos abraçar nenhuma luta de nossos inimigos. Na primeira oportunidade eles nos trairão. Além do mais, eles que são brancos que se entendam! 

É NÓS POR NÓS E QUE ELES ESTEJAM PREPARADOS!

Dados sobre a autora:
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